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terça-feira, 31 de agosto de 2010

CLUSTERS


Se existe algo excelente economicamente e socialmente, e que traz diversos e inúmeros benefícios para qualquer localidade, é a formação de um ou mais clusters em seu território.

Michael Porter, grande especialista em administração mercadológica, define cluster como uma concentração de empresas de um setor de atividade determinado e outras organizações relacionadas, sejam elas de fornecedores de insumos a instituições educacionais e clientes de tais organizações. E a tendência para essas formações começou na Itália, onde entre os clusters existentes estão os de empresas do ramo de joias e afins em Vicenza, das relacionadas com moda e design em Milão e de mármore e granito da região de Carrara.

Um cluster não é pura e simplesmente um polo industrial concentrado de empresas do mesmo ramo de atividade. Um cluster á algo mais sofisticado: além da concentração geográfica, há muitos enlaces entre as firmas que operam naquele local. Citando tais enlaces, pode-se exemplificar o seguinte: o município de Taguaí, no interior paulista, de mais ou menos 8.000 habitantes, já faz mais de uma década iniciou um processo para se transformar em polo industrial com incentivos da prefeitura para vinda de indústrias, principalmente confecções, já contando hoje com umas duas centenas delas, entre pequenas, médias e algumas grandes. Hoje a cidade é até conhecida como a “Capital das Confecções Jeans”, sendo praticamente inexistente o desemprego por lá. Como ainda não ocorreram grandes enlaces entre as empresas e a vinda de organizações correlatas citadas anteriormente, pode-se dizer que lá existe um cluster em formação, que talvez um dia vá se tornar um verdadeiro cluster, já amadurecido, como ocorre por exemplo em Franca-SP, o maior polo calçadista latino-americano, onde há mais de 1.000 fábricas muito bem instaladas e estruturadas, sendo também um centro de referência para ensino e pesquisa no setor coureiro-calçadista, desenvolvendo projetos de inovação e dando formação profissional.

Dá para se dizer mesmo que um cluster se reproduz dentro de si por si próprio, uma autogênese, eu diria. Quanto mais empresas estão lá, mais empresas são atraídas para lá. Sendo assim, é economicamente vantajoso a prefeitura de um lugar dar incentivos para se formar um cluster em sua localidade. E tal início pode ser dado para que empresas de determinado setor recebam incentivos fiscais, como isenção de ISS e IPTU ou pagamento destes com descontos, e também outros incentivos, como concessão de área para instalação. De tal maneira, com o tempo alcança-se o objetivo de promover e fomentar o desenvolvimento da localidade, permitindo que tais contribuintes (Pessoas Jurídicas) utilizem a parte do capital que seria para pagamentos de impostos e taxas nos investimentos produtivos aplicados na própria empresa.

Sobre o que foi citado acima, talvez muitas pessoas pensem que o município possa sair perdendo fortemente, pois abriria mão de uma boa fonte de renda. Mas, digo que as vantagens para a comunidade do lugar com a criação de empregos diretos e indiretos, bem como uma maior circulação de dinheiro e outros bens dentro daquela área, seria tudo isso muito mais vantajoso para as pessoas e supriria de longe a perda de tal renda da Prefeitura.

Um cluster também poderia ajudar na comercialização de produtos primários que muitas vezes já são de grande produção dentro da localidade. Por exemplo, um cluster de indústrias calçadistas ou de outros produtos de couro não seria uma má ideia numa região onde já há muitas propriedades de criação de bovinos.

Até aqui falou-se na ajuda que governos municipais poderiam dar na formação de um cluster, mas os governos estaduais e federal não poderiam também ajudar? A resposta é sim, mas talvez aí esteja um empecilho ainda maior. São justamente esses que, às vezes, devido à enorme burocracia que exigem para se abrir uma firma ou à dificuldade de se conceder créditos e financiamentos para as empresas investirem na produção que acabam, infelizmente, pondo fim ao sonho de muitos empreendedores.

Esses dias mesmo, eu li em um renomado site de negócios de Portugal (http://www.oje.pt, do português Jornal Econômico) que há lá um sistema de incentivos para estas formações, que abrange todas as regiões do país e da regiões autônomas da Madeira e dos Açores, sendo que é concedido um valor para investimento a partir de 5 mil euros e que contempla empresas de qualquer porte, e com muito pouca burocracia. Pena que no Brasil não é assim, pois até a conhecida Lei Geral da Micro Empresa e Empresa de Pequeno Porte tem dificuldades de ser implantada em todo país.

Quem sabe um dia nossos governantes vejam que a oportunidade perdida agora pode resultar em grandes perdas produtivas e econômicas para o país num futuro que, às vezes, não é tão distante.

2 comentários:

  1. Gostei da postagem, vejo auto domínio do assunto abordado, mesmo eu até então tendo pouco conhecimento do conceito..

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  2. Muito bom. Isso me ajudou na resposta da minha atividade.

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